In Portuguese
Este artigo analisa, no contexto do Portugal oitocentista, as tensões entre comunidades humanas e ecossistemas resultantes da escassez de recursos naturais e dos impactos ecológicos associados ao desenvolvimento agrícola capitalista. Partindo do pressuposto de que os comportamentos humanos devem ser compreendidos na sua articulação com o meio ambiente, o estudo examina dois casos contrastantes: a crise desencadeada pelo míldio da batata na Madeira na década de 1840 e os movimentos sociais associados à expansão da cultura do arroz na segunda metade do século XIX. Embora distintos em termos temporais e geográficos, ambos os episódios evidenciam processos de construção de práticas e discursos de proteção ambiental orientados para a mitigação do risco de fome, a resposta a desequilíbrios ecológicos e a redefinição de estratégias comunitárias de sobrevivência.
In English
This article analyses, in the context of nineteenth-century Portugal, the tensions between human communities and ecosystems arising from the scarcity of natural resources and the ecological impacts associated with capitalist agricultural development. Starting from the premise that human behaviour must be understood in its articulation with the environment, the study examines two contrasting cases: the crisis generated by the potato blight in Madeira in the 1840s and the social movements associated with the expansion of rice cultivation in the second half of the nineteenth century. Although distinct in temporal and geographical terms, both episodes reveal processes of construction of environmental protection practices and discourses aimed at mitigating the risk of hunger, responding to ecological imbalances, and redefining community survival strategies.