O registro da memória é seguramente um aspecto essencial para se conhecer o percurso das instituições sociais. Nessa perspectiva, as instituições educacionais de ensino superior são por excelência espaços de memória, pois, retratam a dinâmica do fazer acadêmico cotidiano que, ao longo de sua constituição evidencia as transformações educacionais ocorridas por meio das mudanças estruturais advindas. Na direção posta, a pesquisa buscou, por meio dos egressos do Curso e Biblioteconomia das décadas de 50 e 60 do século XX, evidenciar aspectos até então desconhecidos para a biblioteconomia da geração atual, a partir do delineamento do perfil dos alunos participes do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal da Bahia. Para consecução desse objetivo, foram identificados documentos alocados no arquivo do Instituto de Ciência da Informação (ICI), dos alunos do referido curso no período mencionado. Assim, a coleta de dados segui alguns procedimentos: abertura dos 332 envelopes contidos em caixas, com identificação individual dos alunos; verificação do conteúdo existente em cada um deles; definição das informações a serem transcritas dos documentos existentes, em função dos objetivos do projeto; transcrição das informações registradas em planilha Excell e definição sobre as informações inerentes ao contexto investigado, tais como: currículo do curso, forma de ingresso, raça, motivação da escolha profissional, local de origem, data de nascimento, estado civil, profissão, classe social, entre outros, a fim de compreender o processo de construção da memória institucional do curso. Os resultados do levantamento revelaram que no período, o perfil dos egressos do curso de Biblioteconomia da UFBA era predominantemente feminino, pois cerca de 95% eram mulheres, majoritariamente da raça branca, solteira, professora primária, sendo que na década de 50, os egressos proviam da capital, da cidades do interior e de outros estados. Para além disso, foi possível observar que: a forma de ingresso ao curso ocorreu por meio de vestibular (oral e escrito), a faixa etária média era de 20 anos, e a motivação para a escolha do curso estava relacionada ao gosto da maioria pela leitura, a crença de que a biblioteconomia era uma profissão vinculada a cultura geral e também era vista como uma profissão com possibilidades de inserção no mercado de trabalho. Conclui-se que: a) no período investigado, o curso de Biblioteconomia da Bahia é majoritariamente feminino; b) a classe social dos egressos era média alta, a julgar pelo registro da filiação nas fichas; c) o curso a partir de 1955, foi agregado à Universidade da Bahia, tornando-se de nível superior e em função disso, os egressos anteriores a essa data voltaram para completar a carga horária como formação de 3 anos, para obtenção do diploma de 3º grau. Ressalta-se, por fim, que pesquisas dessa natureza é relevante para a Universidade Federal da Bahia (UFBA), ao desvelar a história do curso de biblioteconomia por meio do registro documental de cada um dos seus egressos, resgata também a memória da referida Universidade, tornando-a visível para toda a sociedade.