A literatura de cordel se destaca na sociedade por sua relevância histórica e social, apresentando-se como fonte de informação e de representação simbólica de nossa identidade e memória cultural. Pesquisas importantes sobre a produção em literatura de cordel existem no Brasil. Os recortes delas advindas demarcam análises do seu nascedouro, passando por variedades de ciclos temáticos, representações sociais, entre outras abordagens. Entretanto, a atualidade do tema traz à tona uma reflexividades científica concernente à lacuna na construção/inexistência de arquivos na área estabelecida, resultado da escassez de abordagens voltadas a duas questões interessantes: primeiro, o estudoreferente ao folheto enquanto produto ligado à produção feminina, pois, por muito tempo, foi majoritariamente um reduto masculino, onde as mulheres não podiam expor suas narrativas; segundo, o estudo do cordel não só como verso, poética ou narrativa popular, mas enquanto fonte de informação e comunicação. Nessa direção, o objetivo é organizar e tratar a informação da memória das mulheres cordelistas na região do Cariri Cearense, inserindo a mulher cordelista num contexto contemporâneo como um contributo à sua historiografia e aos estudos em Ciência da Informação. Assim, visa captar, em sua metodologia, a memória de múltiplos campos de saberes, através das temáticas por elas abordadas, bem como através das capas dos folhetos e xilogravuras. Para tanto, se ancora no aporte teórico dos autores Santos (2002), Mayayo (2003) e Santos (2009) que dão subsídio à análise de exemplar de folheto escrito pela poetisa Sebastiana Gomes (Bastinha), evidenciando o lugar da escrita feminina no cordel.