Nos últimos 30 anos, as discussões científicas que se inserem nos campos da Organização do Conhecimento e Arquivologia são diversas, e essa pluralidade interdisciplinar permeia as mais diversas temáticas. Este artigo analisa os processos de organização e representação do conhecimento em arquivos de movimentos populares de moradia urbana, com foco no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A constituição do MTST se deu por volta de 1997 na cidade de São Paulo. Esta década é marcada pelo incipiente projeto neoliberal que se instaura no Brasil e já anda a passos largos em outras regiões do planeta. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e com abordagem qualitativa. O referencial teórico foi recuperado em bases de dados, periódicos, revistas, eventos e congressos científicos. Ao longo do tempo, os arquivos de movimentos populares foram abandonados, essa falta de cuidado e preservação se dá com a maioria dos movimentos populares. Os arquivos desses movimentos retratam as lutas de trabalhadores que se encontram em um cenário de geração de conhecimento fora do escopo das estruturas acadêmicas tradicionais, uma vez que não estão inseridos em um contexto científico, e que para as instituições tradicionais, como as universidades e as sociedades científicas, esses movimentos não produzem conhecimento com base em métodos científicos. Nessa discussão, é necessário evidenciar as lutas desses movimentos no cotidiano, assim como dar visibilidade à organização e representação do conhecimento que por eles são produzidos e que carecem de maiores reflexões e atenção do poder público, dos governos e das instituições tradicionais para sua evidenciação.