A literatura homoerótica – aquiliana (entre homens) e sáfica (entre mulheres) – brasileira tem uma presença marcante no cenário literário desde o final do século XIX, quando a Escola do Naturalismo se aproximou da realidade de sujeitos colocados à margem do social pelos poderes hegemônicos. Próximo ao final da década de 1970, no período de abertura da ditadura militar no Brasil, surgiu o jornal Lampião da Esquina, que teve como premissa a contracultura e como principal abordagem a declaração de liberdade aos homossexuais (gays e lésbicas) e travestis. Uma das seções de destaque do jornal foi a Biblioteca Universal Guei, veiculada entre 1978 e 1981, uma bibliografia comercial e analítica na qual o jornal mediava a literatura homoerótica. Assim, o Lampião da Esquina colaborou para as ações da justiça social, propiciando a distribuição justa de bens epistêmicos. Isto posto, na premissa dialética e problematizadora dos campos da Biblioteconomia e Ciência da Informação – sob a luz dos Recursos e Serviços de Informação –, é proposta investigação científica cujo objetivo geral é: refletir sobre a organização bibliográfica dos acervos das bibliotecas públicas brasileiras e sua contribuição para a justiça social. Quanto ao conjunto de métodos, esta é uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem mista (qualitativa e quantitativa) e seus procedimentos são bibliográfico e documental. Por fim, observa-se que apreender sobre questões que possam promover silêncios e invisibilidades da literatura homoerótica nacional no ambiente das bibliotecas públicas é um gesto permite a cada sujeito oportunidades de obter conhecimento de forma justa, igualitária e equitativa.