Os movimentos sociais elaboram registros e documentos oriundos de reivindicações e práxis culturais. O MST, tem lutado pela reforma agrária popular, produção de alimentos orgânicos, defesa dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+. No contexto das instituições burocráticas, os instrumentos, processos e princípios arquivísticos já estão presentes na produção documental, contudo, nos movimentos sociais, não. Este artigo analisa e discute a produção documental em arquivos de movimentos sociais, buscando compreender as práxis e como essas atividades são desenvolvidas, organizadas, representadas e preservadas. Por meio de pesquisa bibliográfica, e com auxílio de bases de dados, periódicos e congressos foram recuperados materiais sobre o tema. Inferese que o MST adota modelos próprios para a produção e registro, e que para isso, o saber local é um fator preponderante para a caracterização, representação e modo de reprodução documental. Os arquivos de movimentos sociais apresentam particularidades concernentes à própria dinâmica de ação de cada grupo. Arquivos de movimentos sociais são, portanto, os arquivos dos vários sujeitos políticos nele envolvidos, sejam ou não formalizados, sejam ou não estruturados de acordo com princípios arquivísticos. No caso dos arquivistas, sendo aqueles que irão organizar e representar tais documentos, esse é um dado importante a considerar, ou seja, a inserção da própria entidade produtora dos arquivos em um quadro histórico e social mais amplo, além da elaboração de instrumentos de recuperação.
Nesse contexto, não existe a figura de um arquivista que seja responsável pela produção documental, pois essa função é exercida em geral pelos próprios sujeitos políticos.