O amor é um elemento fundamental na estrutura temática do romance grego antigo, e tal vinculação com o mundo de Eros está presente, inclusive, em algumas das poucas observações que os próprios escritores e críticos da Antiguidade fizeram a respeito do gênero. Ainda que, conforme Brandão (2005), a Týche surja como mola fundamental da ação romance, pois é graças ao acaso que a série de peripécias narrativas acontece, é na experiência amorosa que as narrativas se fundam, estando na base de seu enredo, razoavelmente convencional: um jovem casal, de excelsa beleza física e moral, se apaixona, é separado por contingências do acaso e levados a uma série de aventuras e infortúnios, para se reencontrarem em um final feliz. Tal estrutura de enredo é nos conhecida a partir da existência de cinco exemplares integrais do gênero que, com maior ou menor variedade, parecem seguir tal percurso narrativo. Das várias narrativas que conhecemos apenas fragmentariamente, nossas conjecturas partem da comparação com esses romances, a fim de tentar compreender de que modo estas narrativas, fragmentárias para nós, se aproximam ou divergem do gênero tal qual nos é conhecido hoje. Neste sentido, o objetivo desta apresentação é analisar os fragmentos de dois romances gregos, Nino e Sesoncôsis, tendo em vista enfatizar aspectos do mundo erótico presente neles, e como estes dialogam com o Conto de Panteia, história narrada na Ciropedia de Xenofonte e tida, por alguns críticos, como modelar para os romancistas antigos.