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El presente artículo propone una relectura radicalmente teórica de El retablo de Maese Pedro (1923) de Manuel de Falla, concebida no como una obra escénico-musical en sentido tradicional, sino como un dispositivo epistemológico complejo que articula mediación, simulación y violencia cognitiva. Desde esta perspectiva, el Retablo se analiza como una máquina de conocimiento pre-digital que problematiza los estatutos de representación, escucha y agencia, anticipando modelos contemporáneos de mediación técnica y fragmentación ontológica. Lejos de una aproximación historicista o estilística, el trabajo desplaza el eje interpretativo hacia una ontología escénica estratificada, donde la interacción entre narrador, títeres, intérpretes y oyentes configura un sistema de niveles cognitivos en permanente colisión. En este marco, la destrucción final del retablo por parte de Don Quijote se interpreta no como un gesto anecdótico o narrativo, sino como el colapso interno del dispositivo, revelando la violencia inherente a toda mediación representacional. El artículo dialoga críticamente con la musicología falliana canónica, la teoría de dispositivos, la filosofía de la técnica y la semiótica de la escucha, proponiendo una lectura inédita que sitúa la obra en el centro de una reflexión epistemológica sobre la modernidad musical. Con ello, se plantea que El retablo de Maese Pedro no solo representa una síntesis estética singular, sino una contribución decisiva a la historia del pensamiento musical como forma de conocimiento.
En inglésThis article proposes a radically theoretical re-reading of El retablo de Maese Pedro (1923) by Manuel de Falla, understood not as a conventional stage-musical work but as a complex epistemological device articulating mediation, simulation, and cognitive violence. From this perspective, the Retablo is analysed as a pre-digital knowledge machine that problematises the statuses of representation, listening, and agency, anticipating contemporary models of technical mediation and ontological fragmentation. Rather than adopting a historicist or stylistic approach, the study shifts the interpretative focus towards a stratified scenic ontology, in which the interaction between narrator, puppets, performers, and listeners generates a system of cognitive levels in constant collision. Within this framework, Don Quixote’s final destruction of the puppet theatre is interpreted not as a narrative anecdote but as the internal collapse of the device itself, revealing the violence inherent in all representational mediation. The article engages critically with canonical Falla scholarship, device theory, philosophy of technology, and the semiotics of listening, offering an unprecedented interpretation that situates the work at the core of an epistemological reflection on musical modernity. In doing so, it argues that El retablo de Maese Pedro constitutes not merely an aesthetic synthesis, but a decisive contribution to the history of musical thought as a form of knowledge.
En portuguésEste artigo propõe uma releitura radicalmente teórica de O Teatro de Marionetes do Mestre Pedro (1923), de Manuel de Falla, concebido não como uma obra cênica-musical no sentido tradicional, mas como um dispositivo epistemológico complexo que articula mediação, simulação e violência cognitiva. Nessa perspectiva, o Teatro de Marionetes é analisado como uma máquina de conhecimento pré-digital que problematiza os estatutos da representação, da escuta e da agência, antecipando modelos contemporâneos de mediação técnica e fragmentação ontológica. Longe de uma abordagem historicista ou estilística, esta obra desloca o eixo interpretativo para uma ontologia cênica estratificada, onde a interação entre narrador, marionetes, intérpretes e ouvintes configura um sistema de níveis cognitivos em constante colisão. Neste contexto, a destruição final do teatro de marionetes por Dom Quixote é interpretada não como um gesto anedótico ou narrativo, mas como o colapso interno do dispositivo, revelando a violência inerente a toda mediação representacional. O artigo dialoga criticamente com a musicologia canônica de Falla, a teoria do aparato, a filosofia da tecnologia e a semiótica da escuta, propondo uma nova leitura que coloca a obra no centro de uma reflexão epistemológica sobre a modernidade musical. Argumenta-se que O Teatro de Marionetes do Mestre Pedro não apenas representa uma síntese estética singular, mas também uma contribuição decisiva para a história do pensamento musical como forma de conhecimento.
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