Os escritos de Merleau-Ponty chegaram ao cenário artístico nacional através de dois críticos de arte brasileiros, Mário Pedrosa (1900-1981) e Ferreira Gullar (1930-2016), que encontraram nas ideias de Merleau-Ponty alguns fundamentos e contribuições teóricas para a arte que estava sendo realizada no Brasil nos anos 50 e 60, de modo mais particular, no Rio de Janeiro. A artista Lygia Clark não demostrava interesse em enfatizar a fundamentação teórica que constituía os seus trabalhos, nem mesmo tinha a preocupação de contribuir com pesquisas dessa natureza no âmbito do movimento Neoconcreto. Contudo, gostava de saber quais discussões filosóficas os seus colegas estavam promovendo no campo teórico da arte e quais leituras favoreciam a sustentação do movimento artístico em questão. Ferreira Gullar, um dos grandes amigos da artista, foi o principal interlocutor de Lygia Clark no tocante às bases teóricas do Neoconcretismo e foi por meio das conversas entre ambos que, provavelmente, a artista teve acesso às reflexões de Merleau-Ponty.